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Conversando com os acrobatas - Pedro Tolomei

Dessa vez, a entrevista é com o piloto Pedro Tolomei, vencedor da categoria Sportman em 2016!




-Onde, como e quando aprendeu a pilotar aviões?

Aos 11 anos de idade, já fanático por acrobacia aérea e já possuindo meu T-27 Tucano de VCC (voo circular controlado) e após ver anúncios em revistas de aviação sobre o Aeroclube do RGS, que na época era um dos melhores da América Latina, e que possuía 3 acrobáticos, tomei minha decisão. Aos 13 anos, liguei ao aeroclube, na esperança que já pudesse iniciar os cursos. Infelizmente fui obrigado a esperar até meus 18 anos, rs, onde acabei meus estudos e já poderia pilotar e voei rumo ao Rio Grande do Sul em busca do meu sonho de ser piloto.

 

-Quando começou a gostar de acrobacia?

Desde muito novo já era apaixonado por acrobacia. Meu sonho era ser da Esquadrilha da Fumaça, como a maioria das crianças sonham, porém este foi rapidamente retirado de mim ao descobrir problemas de visão, (miopia) o que na época não permitia ingressar na Força Aérea usando correção visual e tampouco cirurgia para correção. Assisti ao vídeo chamado Cloud Dancer, o que despertou uma paixão pelos Pitts Specials, e logo após surgiu um jogo de computador chamado Flight Unlimited, ao qual era super real para época, e havia um Pitts S2b, ao qual era meu predileto, assim como também havia Sukhoi, Grob Jantar, e outros mais... Ficava praticando as manobras no game, e depois tentava em Aeromodelos. Tudo isso me ajudou a esperar os 5 anos que precisava para poder ingressar no aeroclube.

 

-Como foram os primeiros vôos acrobáticos?

 Meus primeiros voos acrobáticos foram no Decatlhon pertencente a Acro que estava no Aeroclube do RGS por um período. Apesar de o aeroclube dispor de cap-10 e Christen Eagle II, o Dectalhon seria o único que eu poderia voar nos campeonatos, o que pesou na escolha para dar início aos meus voos. Em meu primeiro voo, fui tão ansioso para fazer acrobacias, que quando o instrutor me falou que eu precisava primeiro me adaptar a aeronave para depois iniciar a manobra, meu sorriso sumiu na mesma hora, e só tornou a voltar, quando ele falou, ok, eu faço algumas acrobacias no final pra voce! Lembro deste dia como se fosse hoje. Fiquei tão excitado pelas manobras, que não sabia nem o que pedir, só pedia mais e mais e mais. No segundo voo, a primeira coisa que perguntei ao instrutor foi: " Bastos, esse decatlhon aguenta um looping invertido?!"  Resposta dele dando um sorriso: -" aguenta, por que?" -"eu queria que fizesse um comigo!" A partir daqueles momentos, daqueles dois voos, percebi que era o que mais me motivava na aviação, e que tinha valido a pena ter esperado tanto e não ter desistido do sonho.

 

-Em acrobacia, já encontrou alguma dificuldade que precisou ser superada?

A dificuldade que fui obrigado a superar, foi a vontade imensa de continuar sempre voando, porém sem recursos para isso. Acredito que é o fator maior e que mais distancia os pilotos dos seus sonhos.

 

-Quais foram os benefícios que a prática da acrobacia aérea trouxe para seu nível de pilotagem?                       .

 A acrobacia aérea traz ao piloto maior consciência situacional e eleva seus sentidos ao voo. Melhora seus reflexos e também aumenta a confiança na própria pilotagem e na máquina. Recomendo até para os pilotos que não gostam de acrobacia que experimentem e aprendam sair de situações e atitudes anormais, evitando um erro maior que pode danificar a aeronave ou em casos piores a quebra da mesma e acidentes. Lembro no livro do Gerard Moss, em que ele comenta que em uma das tempestades que enfrentou em sua volta ao mundo, o avião entrou no dorso devido à forte turbulência, e que ele conseguiu sair ileso, tanto ele quanto a aeronave, pelo conhecimento que havia de acrobacias.

 

-Na sua opinião, qual a melhor forma de treinar para um campeonato?

A melhor forma de treinar para campeonato é buscar ajuda de pilotos mais experientes, profissionais, e que possam auxiliar na execução tanto das manobras quanto a apresentação das manobras aos juízes. Na maioria dos casos, os pilotos preferem treinar bastante mas sozinhos, o que às vezes faz com que o erro que estava cometendo entre em sua memória muscular e inconsciente, e só tornará mais difícil de corrigi-los depois. Façam menos voos, porém com bastante qualidade. Lembro do meu primeiro campeonato na categoria básica, no Rio de Janeiro. Eu estava ainda com dificuldades na saída do tuno lento, e fiz um voo com o Gunnar, e ele falou: -" não importa se esta saindo descoordenado o avião, importa ao juiz se você está saindo na proa certa". Dito e feito, sai no dia do campeonato com avião torto demais, super desconfortável e descoordenado ao meu ponto de vista, porém na vista dos juízes, sai cravado na proa e levei uma nota bastante alta pelo roll. E foi uma das manobras que me fizeram ganhar a etapa do Rio. Na acrobacia, quanto mais críticas ao seu voo, maior será seu crescimento, portante busque alguém para criticar seu voo.

 

-Tem alguma opinião geral sobre a competição que participou?

Após anos não participava de campeonatos, e achei incrível o trabalho que fizeram e como evoluíram no esporte. Foi super organizado e profissional. E a emoção de estar no Ninho das Águias torna ainda mais interessante e empolgante!

 

-Pretende seguir competindo? Quais os planos para o futuro?

Pretendo continuar competindo, tanto aqui no Brasil e assim que puder fora do país também. Acredito que estar perto dos melhores do mundo trará bastante crescimento. Mas não podemos esquecer que temos alguns pilotos Brasileiros que estão dentro deste Ranking, e a minha meta deste ano será treinar com eles também.

 

-Tem algum conselho para quem deseje aprender acrobacia aérea?

Existem vários caminhos bons a seguir mas também há caminhos que serão mais distantes e longos. O importante é primeiro saber o seu estilo de voo e aeronave, e a partir daí correr atrás de um profissional ou amigo para dar bons conselhos e boas dicas para começar com o "pé direito"!

 

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