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CONVERSANDO COM OS ACROBATAS 2015 - II - JULIANO BARROS

Na sequência de entrevistas temos Juliano Barros, 1º colocado na categoria Sportman, no Campeonato Nacional de Acrobacia Aérea realizado na Academia da Força Aérea (AFA)

-Onde, como e quando aprendeu a pilotar aviões?

       Aprendi a pilotar no Aeroclube do Rio Grande do Sul em Porto Alegre.Comecei em um projeto desta escola chamado DIA (Departamento de Iniciação Aeronáutica) com 8 anos de idade, onde obtive as primeiras aulas teóricas e o contato inicial com aeromodelos e aviões.No dia em que completei 18 anos, idade mínima exigida por lei para voar sozinho, fiz meu primeiro vôo solo em um planador. Com 19 me tornei instrutor de vôo e a bagagem que esta escola me deu na aviação é incontestável.

 

-Quando começou a gostar de acrobacia?

Me recordo ainda pequeno de ver os mágicos vôos de acrobacia a baixa altura em memoráveis finais de tarde lá no ARGS realizados pelo Cmte Machado e também pelo Cmte Casarin, tendo sido este último um modelo do estilo de vida que eu queria para mim: ser Cmte de linha aérea e ter como hobby a acrobacia...e acho que consegui!!.Tive ainda a oportunidade de ver meu primeiro campeonato de acrobacia em Belem Novo no ano de 1994 onde assisti talentosos pilotos em voo. Mas o que me motivou bastante foram os inúmeros shows aéreos que assisti na época.

 

-Como foram os primeiros vôos acrobáticos? 

Foram com o Cmte Machado. Aos  9 anos de idade fiz meu primeiro tunô de aileron. Depois realizei inúmeros vôos acrobáticos de recreio com diversos pilotos e instrutores de acrobacia,mas o curso foi um projeto que guardei na gaveta devido a falta de recursos na época.Quando em 2006 pilotei um Christen Eagle no assento traseiro fiquei apaixonado e decidi naquele dia então investir tempo,dinheiro e energia na acrobacia.

 

-Em acrobacia, já encontrou alguma dificuldade que precisou ser superada?

      Tenho a sorte de ser irmão de um gênio da acrobacia aérea Francis Barros,meu instrutor,treinador e referência como o piloto que eu gostaria de ser.Ele facilitou e muito o meu processo de obtenção da qualidade e do entendimento da técnica das manobras.Acredito que toda manobra para ser corretamente efetuada tem seu grau de dificuldade.Entretanto a adaptação e domínio dos diversos tipos de parafuso e manobras giroscópicas é um desafio a parte,especialmente em um biplano.

 

-Quais foram os benefícios que a prática da acrobacia aérea trouxe para seu nível de pilotagem? 

Sem dúvida seu limite aumenta,a compreensão da teoria de vôo melhora e a exigência com sua pilotagem cresce.A oportunidade de operar aviões de alta performance e complexidade também melhorou muito a minha técnica de pilotagem especialmente em aviões convencionais.

 

-Na sua opinião, qual a melhor forma de treinar para um campeonato?

 Ter um bom treinador. As vezes vejo pilotos que gastam verdadeiras fortunas em aviões avançados de acrobacia e não querem investir em um "coacher",preferem trocar "dicas"com um companheiro piloto em um churrasco na porta do hangar. A acrobacia de competição é diversão,mas precisa ser profissionalizada neste aspecto,principalmente se o piloto quer vencer algo e manter seu nível de segurança (o mais importante!). Infelizmente ainda existem no Brasil pilotos que nem efetuaram um curso ou treinamento de acrobacia e estão "virando". Voar menos, mas sob orientação, traz muito mais resultados do que voar bastante construindo vícios.

 

-Tem alguma opinião geral sobre a competição de Pirassununga (AFA)?

Pirassununga foi o primeiro campeonato em que voei, mas, como já assisti outros, acredito que foi um importante passo para a união de forças em torno da acrobacia. As críticas que eventualmente aconteceram são a fórmula para a evolução da atividade.Temos que reconhecer  o esforço louvável das pessoas que fizeram história na acrobacia Brasileira neste evento: a diretoria do CBA que conseguiu a façanha de realizar um campeonato civil em uma instituição militar, a organização, que mesmo carente de muitas necessidades conseguiu rodar brilhantemente o campeonato, e o grupo de pilotos que bancou a vinda inédita de um juiz reconhecido mundialmente para conduzir o julgamento do nosso campeonato, o que elevou o padrão técnico.

 

-Pretende seguir competindo? Quais os planos para o futuro?

Se conseguir conciliar trabalho e principalmente minha família (a quem coloco sempre em primeiro lugar) pretendo sem dúvida seguir agora na categoria intermediária. Quero ajudar também a viabilizar a participação do meu sócio Rodrigo Barradas neste campeonato de 2015, considerando a sua dificuldade pelo fato de morar atualmente no exterior. Este esporte só tem resultado em equipe e ele faz parte da 'minha' equipe, assim como o pessoal de manutenção que cuida do meu avião no Sul. Para o Futuro pretendo retomar o aprendizado e o treinamento de acrobacia a baixa altura para a execução segura e supervisionada de shows aéreos

 

-Tem algum conselho para quem deseje aprender acrobacia aérea?

Invista em um bom instrutor, não voe acrobacia para os outros e sim para si próprio como busca de uma evolução. A acrobacia é uma atividade acessível a qualquer piloto, mas é um esporte de risco que precisa ser muito bem gerenciado, sem nunca deixar de lado a diversão,que na acrobacia é garantida!!


 

 

 

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