• Comitê Brasileiro de Acrobacia e Competições Aéreas Brasil

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CONVERSANDO COM OS ACROBATAS - 4

Neste mês, o piloto que nos conta sua vida acrobática é André Textor, vencedor da categoria Avançada em Rio Verde.

 

-Onde, como e quando aprendeu a pilotar aviões?

Tive a graça de conhecer a aviação desde cedo. Meu avô ainda hoje voa e tirou sua habilitação na década de 1940. Foi inevitável o contágio pelas maquinas e tudo aconteceu naturalmente. Estudei no Aeroclube do Rio Grande do Sul por alguns anos (entre 1999 e 2003) e foi por lá que de fato aprendi a voar. 

 

-Quando começou a gostar de acrobacia?

Desde sempre! Ainda pequeno via meu pai voar o PT-19 do aeroclube de Santa Maria, mais tarde um pouco veio a construção do COZY pelo "seu" Ruy (meu avô) e logo em seguida começaram a chegar os primeiros RV’s no Brasil, montados também pelo "seu" Ruy lá na OMAER em São Sepé. Outros tantos me despertaram fascínio; apareciam por lá o Marcelo Menegati com o Eagle de Erechim, o Chico Ledur de PA12, o Guerra com aquele Globe Brilhante, o Dell de Decatlhon, enfim, pra quem já gostava de aviões, aqueles que por tão singular beleza se destacam, só me chamavam mais e mais atenção. 

 

-Como foram os primeiros vôos acrobáticos? 

Acho que a primeira vez que voei acrobacia era muito pequeno pra me recordar, mas alguns episódios ficam sempre na memória. Os voos de RV la por 1992 eram sensacionais, lembro daquelas maquinas novinhas em folha saindo do hangar e dos voos de prova. Depois vieram as instruções com meu pai, a quem sou muito grato. Memoráveis também os voos de Eagle com o Cmte. Machado, Francis e Socoloski na época da escola.

 

-Em acrobacia, já encontrou alguma dificuldade que precisou ser superada?

 Com toda certeza. Na acrobacia primamos sempre pela perfeição das figuras. Sempre que alguma coisa não sai como deveria nos desperta um 'quê' de desafio. Como a única receita para o sucesso nesse esporte é a união entre dedicação, estudo e prática, no início a dedicação e o estudo andavam sempre comigo, mas faltava dinheiro pra praticar. Devagar as coisas foram se encaixando nos trilhos, e comecei a perceber que as dificuldades surgem à medida que evoluímos, e de fato nunca vão terminar: em verdade, o que muda é a nossa percepção sobre essas dificuldades..

 

-Quais foram os benefícios que a prática da acrobacia aérea trouxe para seu nível de pilotagem?

A maior de todas sinto que foi a disciplina. Fui agraciado de crescer perto de gente que levava a coisa a sério e com isso afastavam muito o fator risco. A acrobacia na minha profissão (piloto Agrícola) me ensinou a administrar os limites da maquina, a saber quando eles se aproximam, e o mais importante, a sair de encrenca caso alguma coisa dê errado (e entendendo como e porque aquilo aconteceu). Duas coisas que valorizo muito na formação de um piloto são um bom curso de Voo a vela e um belo curso de acrobacia.

 

-Na sua opinião, qual a melhor forma de treinar para um campeonato?

Infelizmente não temos a estrutura que deveríamos mas passo a passo estamos crescendo. Equipes tem se formado, treinos intensivos com bons técnicos tem acontecido, novos instrutores estão aí, com boa doutrina e excelente nível de domínio. Acho que estamos no caminho, seguindo o legado daqueles que outrora já faziam isso com maestria.  

 

-Tem alguma opinião geral sobre a competição de Rio Verde?

 Acho que foi um passo importante  pra unir a turma e pra ver que temos muito a evoluir. Daqui pra frente é incentivar os vários talentos que temos a participar das competições e aí sim teremos belíssimos eventos.

 

-Pretende seguir competindo? Quais os planos para o futuro?

 Com toda certeza! Os planos por ora são de solidificar a equipe Brasileira de avançada pra participar, talvez do Mundial da avançada em 2014 na Slovakia (o que nos parece pouco provável) ou certamente no Nacional americano em 2015.

 

-Tem algum conselho para quem deseje aprender acrobacia aérea?

Se pudesse deixar minha opinião seria a de persistir nos seus sonhos e projetos. A pratica desse esporte deve ser algo muito divertido pra quem o procura mas sobretudo devemos perseguir o critério segurança pra que possamos extrair desses encontros sempre motivos de festejo, de novas amizades e de encantamento regado a muito céu azul e fumaça.

 

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