• Comitê Brasileiro de Acrobacia e Competições Aéreas Brasil

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CONVERSANDO COM OS ACROBATAS - 1

Visando a compartilhar experiências e conhecimento de acrobacia, vamos publicar periodicamente entrevistas com pilotos que se destacarem no meio da acrobacia de competição.

O primeiro da lista é Mario Perdomini Lara, que foi o 1º colocado na categoria Básica de 2013.

 

 

 

 

Onde, como e quando aprendeu a pilotar aviões?

Aprendi a pilotar aeromodelos há 25 anos, e aviões ‘em escala cheia’ aprendi em 2009 no Aeroclube de Alegrete -RS. Atualmente possuo carteira de planador, instrutor de planador, rebocador, piloto comercial e agrícola.

 

-Quando começou a gostar de acrobacia?

Meu interesse por acrobacias começou praticamente junto com meu interesse por aviões; antes mesmo de pilotar aviões reais eu participava de campeonatos de acrobacia com aeromodelos.

 

-Como foram os primeiros vôos acrobáticos? 

O primeiro vôo foi inesquecível. Eu, então aluno de PP, durante um evento em comemoração do aniversário do Aeroclube de Alegrete-RS fui convidado pelo presidente, Fernando Guerra, a fazer um voo num Globe Swift. Ali eu tive mais certeza da minha vontade de aprender.

 

-Em acrobacia, já encontrou alguma dificuldade que precisou ser superada?

A principal dificuldade na acrobacia é o reconhecimento que falta por parte da comunidade aeronáutica e os órgãos de controle da aviação. Afinal de contas, somente nós, que estamos no meio, sabemos o quão é importante para a formação completa de um piloto, a inclusão de práticas acrobáticas nos cursos. E falando em cursos, esta é outra dificuldade, pois sabemos que atualmente é quase impossível fazer cursos homologados para o desenvolvimento da prática no Brasil. Dificuldades essas que ainda não foram superadas...

 

-Quais foram os benefícios que a prática da acrobacia aérea trouxe para seu nível de pilotagem?

Inúmeros, mas principalmente dois. O primeiro é saber quais os limites, tanto dos aviões, como os meus; e o outro é aprender, com base nas teorias aerodinâmicas, a tirar o avião de situações adversas. Fora o fato de fazer nosso cérebro trabalhar muito mais, uma vez que se voa em todas as posições em relação ao chão, onde comandos se invertem e se faz necessário um raciocínio rápido. 

 

-Na sua opinião, qual a melhor forma de treinar para um campeonato?

Não tenho muita experiência em campeonatos, o de Rio Verde foi o primeiro que participei, mas acredito que voar procurando sempre exercitar a precisão nas manobras, mesmo em um voo descontraído de fim de semana, já ajuda. E nas últimas semanas antes do campeonato voar intensamente e focado. Mas acredito que o modo de treinamento varia muito de pessoa pra pessoa.

 

-Tem alguma opinião geral sobre a competição de Rio Verde?

Na minha opinião foi nota 10. Foi muito bem organizado, com patrocínios que permitiram a participação de qualquer pessoa, o local era apropriado e o ambiente muito descontraído, como deve ser. Sinto por não ter tido mais participantes, muita gente que estava lá apenas assistindo deveria estar no box voando, mas cada um é cada um... Parabéns aos organizadores.

 

-Pretende seguir competindo? Quais os planos para o futuro?

Pretendo sim, salvo algum acontecimento imprevisto que inviabilize a minha participação. Mas se for nos moldes do campeonato de Rio Verde, e se não coincidir com a época da safra (pois sou PAGR), minha participação é garantida.

 

-Tem algum conselho para quem deseje aprender acrobacia aérea?

Sim, aconselho a estudar, ler artigos técnicos - mas não o livrinho de PP e sim teorias que não se ensinam em aeroclube. Treinar com base em teoria aprovada, e não no sistema “tentativa e erro”. Além de ficar mais barato, o caminho é mais curto e seguro. Outra coisa é a humildade: procure sempre achar que sabe menos do que realmente sabe; isso dá uma vontade de aprender sempre mais, e todos nós sabemos que na aviação o aprendizado é infinito...E por último, voe alto!

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