• Comitê Brasileiro de Acrobacia e Competições Aéreas Brasil

Acrobacia aérea

Acrobacia Aérea de Competição

A acrobacia aérea é genericamente definida como qualquer “manobra efetuada intencionalmente com uma aeronave em vôo levando-a a atitudes ou acelerações anormais ou, ainda, a mudanças bruscas de altitude”. É uma definição internacional, mas extremamente genérica, e que acaba envolvendo voos que nem sequer poderiam ser chamados de ‘acrobáticos’ (como o voo agrícola, de combate a incêndios ou de propaganda com faixa).

O voo acrobático da forma que é definido acima pode ser feito com praticamente qualquer categoria de aeronave, e nem é necessário ir a um evento aéreo para comprovar isso.

Mas há uma categoria de acrobacia que é um esporte, e que exige domínio dos ares, como o voo à vela, o parapente ou o paraquedismo, mas que também é um esporte mecânico, como a Formula 1.

Ela é praticada em aviões motorizados (mas também em planadores) especialmente adaptados. Em geral leves e potentes, esses aviões podem voar indiferentemente em voo normal ou de dorso (graças a uma alimentação especial do motor) e podem suportar acelerações de gravidade (carga “G”) mais elevadas que a maior parte das outras aeronaves, durante as manobras mais fortes.

HISTÓRICO

A acrobacia aérea é uma atividade quase tão antiga quanto a própria aviação. É praticamente impossível saber qual foi o primeiro piloto que resolveu colocar o avião em “atitudes e acelerações anormais”. Conta-se que o piloto francês Adolphe Pégoud, por volta de 1913, fez um salto de paraquedas e viu seu avião seguir voo e realizar naturalmente um círculo vertical no céu, antes de cair. No mesmo ano, Lincoln Beachey, nos EUA, e Nicolai Nesterov, na Rússia, também realizaram os primeiros loopings em aeronaves.

Com a Primeira Guerra Mundial, os combates aéreos obrigaram os pilotos a inventar manobras mais ousadas. O repertório de figuras de acrobacia se enriqueceu, a técnica e a segurança também se aperfeiçoaram.

Após o fim da guerra, a prática de voos acrobáticos se disseminou, facilitada pela grande disponibilidade tanto de ‘ases’ quanto de aviões remanescentes das fileiras militares. Muitos foram tinham em vista os eventos e exibições, e na prática o único critério era o arrojo dos pilotos.

Sobrevindo a II Guerra Mundial, aprimoraram-se os aviões, as manobras se tornaram mais potentes, rápidas e precisas, aperfeiçoou-se o voo em esquadrilha, e, novamente após o fim do conflito, muitos pilotos, a maioria de origem militar, continuaram aprimorando a prática do voo acrobático. 

Com o passar do tempo, surgiram os campeonatos de acrobacia, o que passou a exigir regras cada vez mais elaboradas, e aviões especialmente projetados para isso. 

O primeiro campeonato mundial ocorreu em 1960, em Bratislava, Tchecoslováquia.

A partir de então, surgiram aviões cada vez mais ágeis e resistentes, projetados com o fim específico de manobrar com precisão. Dentre esses, destacaram-se os modelos Pitts, Christen Eagle, Sukhoi, Yak, Extra e CAP.

Atualmente a acrobacia aérea é uma atividade perfeitamente codificada, como a patinação artística ou a ginástica, com figuras catalogadas, e que uma formação progressiva e sólida permite praticar em total segurança. A improvisação não deve ter lugar na acrobacia aérea.

UTILIDADE PRÁTICA DO VOO ACROBÁTICO

A acrobacia aérea aperfeiçoa no piloto diversas qualidades: autoconfiança, domínio do voo, destreza, precisão, acuidade de visão, rapidez de interpretação e de decisão, etc.. É portanto também uma forma de explorar as três dimensões de maneira muito mais íntima do que pelos pousos e decolagens do voo convencional.

Mas a acrobacia é também uma atividade constantemente renovável: de um voo ao outro, as condições meteorológicas se modificam, as manobras podem ser combinadas de formas indefinidamente diferentes, a destreza progride, o prazer do sucesso se se afirma e recompensa os esforços realizados.

E mais, a acrobacia aérea é uma atividade desportiva onde se adquire perfeccionismo, pois ao lutar para corrigir os pequenos defeitos técnicos, aprende-se a dominar reações físicas e emotivas.
E finalmente, a acrobacia aérea é uma atividade individual que se pratica em grupo. Quando o instrutor se torna dispensável diante do piloto já formado, é o treinador que intervém para dar os avisos, dicas, macetes, ou tão somente para orientar via rádio sobre a segurança visual na área de evolução, etc.

CAMPEONATO ACROBÁTICO

Um campeonato de acrobacia não tem nada a ver com um show aéreo. É um esporte extremamente técnico e complexo, tanto para o competidor quanto para o espectador.
É também um esporte que possui poucos conhecedores, mas que é responsável por fazer surgir os melhores pilotos de precisão que existem, com a vantagem de exigir-lhes humildade, pois seus voos são constantemente avaliados e postos à prova em nome da perfeição. Quem é responsável pelas regras e rankings internacionais é a FAI – Internacional Air Sports Federation.
Uma competição de acrobacia é um esporte com regras específicas, parecido com a ginástica olímpica ou a patinação artística. Só que ao invés de usar o corpo, utilizam-se-se aviões especificamente projetados para manobrar e suportar altas cargas de aceleração (força “G”).

CATÁLOGOS DE MANOBRAS

Nesse ramo acrobático, as manobras são catalogadas e denominadas ‘figuras’, numa classificação que se originou a partir do chamado ‘Código Aresti’. Esse código representa as manobras por meio de símbolos e linhas.

A sequência de manobras pode ser colocada numa posição visível ao piloto durante o voo, de maneira a possibilitar lê-la como se fosse uma partitura musical.
No início e no final de cada sequência o piloto deve sinalizar com as asas aos juízes, para indicar que iniciou a prova.

Os juízes devem avaliar as manobras com critérios rigorosos, que incluem: a perfeição geométrica da manobra (forma, raio, ângulo, etc); execução primorosa e precisa; ritmo das rotações; a nitidez (o piloto deve definir bem quando está entrando e saindo de uma manobra); respeito à sequência e ao sentido do vento; o posicionamento dentro do BOX; a altura de voo, etc.

SEGURANÇA E FISIOLOGIA

A segurança é uma preocupação constante, tanto para os pilotos quanto para os treinadores e instrutores, e deve ser mantida nos níveis mais rigorosos:
-pela natureza dos aviões, que são concebidos especificamente para manobrar
-pelo uso do paraquedas, que é obrigatório
-pela atenção reforçada que cada piloto dispensa a seu avião antes de voar
-pela experiência adquirida e transmitida pelos instrutores aos pilotos, e de piloto a piloto
-porque a finalidade é explorar ao máximo o domínio seguro do voo,
-porque a progressividade da formação e do aperfeiçoamento através das categorias de voo permite a cada um acostumar seu organismo progressivamente e se adaptar às perfomances das aeronaves.

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Concluindo, podemos dizer que a acrobacia aérea é:

UM ESPORTE:

Um esporte de desafio, ao mesmo tempo físico e mental, onde os pilotos devem combinar a arte da pilotagem com a resistência física (acelerações extremas de até 10 Gs positivos ou negativos), e desenvolverem aptidão de pensar rápido e antecipar reações.

UMA ARTE:

Uma arte que consiste, para o piloto de campeonato, em fazer manobras em três dimensões e executar figuras bem definidas, como loopings, tounneaux, hammerheads, etc. E para o piloto de demonstração, é uma arte que consiste que criar uma coreografia harmônica, bonita e atraente de ser vista.

UM ESPETÁCULO:

O espetáculo do homem dominando a máquina, o espaço e o tempo, seja em um programa previamente codificado (campeonatos), seja em uma obra de sua própria criação (show aéreo).


(fontes: Breitling World Cup Aerobatics – caderno de briefing; France Voltige; Jean-Pierre Otelli, Technique du Vol Acrobatique; Geza Szurovy & Mike Goulian, Advanced Aerobatics; portal FAB – personalidades e façanhas)

Acrobacia aérea